quinta-feira, março 15, 2018

Las pequeñas cosas


Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
Lo mismo que un árbol en tiempos de otoño queda sin sus hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
Donde encontrarás con el pan al sol la mesa servida.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí...por eso muchacho...
Demorate aquí...por eso muchacho...



Obrigada Chavela! Obrigada vida, por simplificar tudo nesta vida!
Obrigada tempo, por devorar as coisas simples das vida.

quinta-feira, outubro 12, 2017

Tchaikovsky - Violin Concerto






Dai-me a casa vazia e simples onde a luz é preciosa. Dai-me a beleza intensa e nua do que é frugal. Quero comer devagar e gravemente como aquele que sabe o contorno carnudo e o peso grave das coisas.
Não quero possuir a terra mas ser um com ela. Não quero possuir nem dominar porque quero ser: esta é a necessidade.
Com veemência e fúria defendo a fidelidade ao estar terrestre. O mundo do ter perturba e paralisa e desvia em seus circuitos o estar, o viver, o ser. Dai-me a claridade daquilo que é exatamente o necessário. Dai-me a limpeza de que não haja lucro. Que a vida seja limpa de todo o luxo e de todo o lixo. Chegou o tempo da nova aliança com a vida.

- Sophia de Mello Breyner Andresen,
"inédito" - sem data.


... há uns anos (uns quantos, para ser mais precisa) e na eminencia de uma viagem para um destes sítios longínquos, vi o filme "O Concerto" de Radu Mihăileanu, curiosas idiossincrasias da vida... Foi desta forma que o concerto de Tchaikovsky para violino entrou de rompante na minha vida. A minha pergunta é simples: pode alguém ouvir isto sem se arrepiar até às escondidas entranhas da alma sem encharcar os olhos de emoção?

As Grutas


O esplendor poisava solene sobre o mar. E — entre as duas pedras erguidas numa relação tão justa que é talvez ali o lugar da Balança onde o equilíbrio do homem com as coisas é medido — quase me cega a perfeição como um sol olhado de frente. Mas logo as águas verdes em sua transparência me diluem e eu mergulho tocando o silêncio azul e rápido dos peixes. Porém a beleza não é só solene mas também inumerável. De forma em forma vejo o mundo nascer e ser criado. Um grande rascasso vermelho passa em frente de mim que nunca antes o imaginara. Limpa, a luz recorta promontórios e rochedos. E tudo igual a um sonho extremamente lúcido e acordado. Sem dúvida um novo mundo nos pede novas palavras, porém é tão grande o silêncio e tão clara a transparência que eu muda encosto a minha cara na superficie das águas lisas como um chão.

As imagens atravessam os meus olhos e caminham para além de mim. Talvez eu vá ficando igual à almadiIha da qual os pescadores dizem ser apenas água.

Estarão as coisas deslumbradas de ser elas? Quem me trouxe finalmente a este lugar? Ressoa a vaga no interior da gruta rouca e a maré retirando deixou redondo e doirado o quarto de areia e pedra. No centro da manhã, no centro do círculo do ar e do mar, no alto do penedo, no alto da coluna está poisada a rola branca do mar. Desertas surgem as pequenas praias.

Um fio invisível de deslumbrado espanto me guia de gruta em gruta. Eis o mar e a luz vistos por dentro. Terror de penetrar na habitação secreta da beleza, terror de ver o que nem em sonhos eu ousara ver, terror de olhar de frente as imagens mais interiores a mim do que o meu próprio pensamento. Deslizam os meus ombros cercados de água e plantas roxas. Atravesso gargantas de pedra e a arquitectura do labirinto paira roída sobre o verde. Colunas de sombra e luz suportam céu e terra. As anémonas rodeiam a grande sala de água onde os meus dedos tocam a areia rosada do fundo. E abro bem os olhos no silêncio líquido e verde onde rápidos, rápidos fogem de mim os peixes. Arcos e rosáceas suportam e desenham a claridade dos espaços matutinos. Os palácios do rei do mar escorrem luz e água. Esta manhã é igual ao princípio do mundo e aqui eu venho ver o que jamais se viu.

O meu olhar tornou-se liso como um vidro. Sirvo para que as coisas se vejam.

E eis que entro na gruta mais interior e mais cavada. Sombrias e azuis são águas e paredes. Eu quereria poisar como uma rosa sobre o mar o meu amor neste silêncio. Quereria que o contivesse para sempre o círculo de espanto e de medusas. Aqui um líquido sol fosforescente e verde irrompe dos abismos e surge em suas portas.

Mas já no mar exterior a luz rodeia a Balança. A linha das águas é lisa e limpa como um vidro. O azul recorta os promontórios aureolados de glória matinal. Tudo está vestido de solenidade e de nudez. Ali eu quereria chorar de gratidão com a cara encostada contra as pedras.

in Livro Sexto, 1962


... bom, de quando em quando sou perpassada por uma violentíssima nostalgia e uma saudade de partilhar a beleza das palavras.
in Livro Sexto, 1962

domingo, julho 16, 2017

En peores plazas hemos toreado!

quarta-feira, julho 05, 2017

Sisters



Couldn't be more grateful to my "sister" friends that tight me to life in my new base!
They have made my life simple and happier!

"Sempre chegamos onde nos esperam", dizia o Saramago e com razão, parece que há pessoas à nossa espera e que mágica é essa chegada a portos seguros, tão longe e tão fora das rotas do costume! A eterna alegria da descoberta, complementada com a riqueza da diversidade que nos rodeia!

Pensar que há menos de 3 anos cheguei a um sítio completamente novo, desconhecido e desgarrado de histórias... a vida trata de pôr no nosso caminho as ferramentas necessárias. O que costumo dizer é que "no fim encontrado-nos todos" e creio que tenho razão! Pelo menos é o que me têm ensinado todos estes anos de divagações poéticas por aí.

E cresce uma alegria dentro de mim, perpassada pela eterna nostalgia da nossa história (talvez porque seja quarta-feira, essa mítica noite em que nos encontrávamos todos no Púcaros), mas sempre aberta à eterna novidade do mundo!

E isto acontece a cada esquina das nossas vidas. Que bom!

Safe roads to everyone! Ou em português: bons ventos te acompanhem!


terça-feira, maio 09, 2017

Mad About You





Quem se quer bem, sempre se encontra!

terça-feira, abril 25, 2017

Sempre!

Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui! 

Salgueiro Maia, 25 de Abril de 1974

terça-feira, abril 18, 2017