Não sei sentir, não sei ser humano,
Não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens,
Meus irmãos na terra.
Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, quotidiano, nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente.
Mas para toda gente isso foi normal e instintivo.
Para mim sempre foi a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cotar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
De sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas
E ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos.
In Passagem das Horas, Álvaro de Campos
Este poema veio-me à memória,
como alguém que tem uma extrema necessidade de beber água!
Há anos, posso dizer que há anos que este poema não cruzava a minha cabeça,
passei uns momentos muito intensos ultimamente,
do ponto de vista emocional, muito bons,
muito intensos e muito emotivos,
às vezes apetece-me mandar a liberdade pela janela fora,
negar a sede de aventura e sentir-me ovelhinha no rebanho,
e depois vem-me à memória o Álvaro de Campos,
e a realidade restitui-se-me como no fim da Tabacaria.
"Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates."
Hoje faria uma longa noite de Álvaro de Campos, mas não posso, tenho que dormir que amanhã vou trabalhar às 7 da manhã e lá se vai a metafísica!
Este poema veio-me à memória,
como alguém que tem uma extrema necessidade de beber água!
Há anos, posso dizer que há anos que este poema não cruzava a minha cabeça,
passei uns momentos muito intensos ultimamente,
do ponto de vista emocional, muito bons,
muito intensos e muito emotivos,
às vezes apetece-me mandar a liberdade pela janela fora,
negar a sede de aventura e sentir-me ovelhinha no rebanho,
e depois vem-me à memória o Álvaro de Campos,
e a realidade restitui-se-me como no fim da Tabacaria.
"Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates."
Hoje faria uma longa noite de Álvaro de Campos, mas não posso, tenho que dormir que amanhã vou trabalhar às 7 da manhã e lá se vai a metafísica!
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